O dia 7 de setembro marca a declaração da Independência do Brasil, ocorrida em 1822. A data é importante para compreender a separação política entre Brasil e Portugal, mas esse processo não aconteceu em um único dia nem foi resultado da ação de somente uma pessoa.
Ao trabalhar o tema na escola, é importante ir além da memorização de datas e personagens. Os alunos precisam compreender o contexto, os interesses envolvidos, os conflitos ocorridos em diferentes regiões e os limites da independência para grande parte da população.
Ao final do artigo, você poderá baixar gratuitamente uma atividade sobre o 7 de Setembro em PDF.
O que aconteceu em 7 de setembro de 1822?
Em 7 de setembro de 1822, durante uma viagem a São Paulo, Dom Pedro recebeu notícias e documentos relacionados às decisões das Cortes portuguesas e à situação política entre Brasil e Portugal.
Às margens do riacho Ipiranga, ele anunciou a separação política. Esse episódio tornou-se um dos principais marcos da Independência do Brasil.
Entretanto, a independência não começou nem terminou naquele dia. Ela foi resultado de acontecimentos anteriores e continuou sendo disputada em diferentes regiões depois de setembro de 1822.
Como o Brasil era governado antes da independência?
Durante mais de três séculos, o território que hoje corresponde ao Brasil esteve submetido à administração portuguesa.
A colonização foi marcada por:
- exploração de recursos naturais;
- ocupação de territórios indígenas;
- trabalho escravizado;
- concentração de terras;
- controle político exercido por Portugal;
- produção direcionada aos interesses comerciais da metrópole.
Povos indígenas foram expulsos de seus territórios, escravizados, mortos ou obrigados a modificar seus modos de vida. Milhões de africanos foram trazidos à força e submetidos à escravidão.
Esses processos são fundamentais para compreender a formação histórica do Brasil e não devem ser omitidos ao abordar a independência.
A chegada da família real portuguesa
Em 1808, a família real portuguesa transferiu-se para o Rio de Janeiro após a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte.
A presença da Corte provocou mudanças importantes, como:
- abertura dos portos;
- criação de instituições administrativas;
- instalação de órgãos públicos;
- ampliação das atividades comerciais;
- crescimento da importância política do Rio de Janeiro.
Em 1815, o Brasil deixou formalmente a condição de colônia e passou a integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Essas mudanças contribuíram para que grupos influentes instalados no Brasil não aceitassem facilmente o retorno à situação anterior.
A Revolução Liberal do Porto
Em 1820, ocorreu em Portugal a Revolução Liberal do Porto. O movimento defendia uma Constituição e exigia o retorno do rei Dom João VI, que estava no Rio de Janeiro.
Dom João VI voltou para Portugal em 1821. Seu filho, Dom Pedro, permaneceu no Brasil como príncipe regente.
As Cortes portuguesas passaram a exigir o retorno de Dom Pedro e a subordinação de diferentes decisões políticas e administrativas a Portugal. Parte das elites instaladas no Brasil temia perder poderes e vantagens conquistados desde 1808.
O Dia do Fico
Em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro anunciou que permaneceria no Brasil, contrariando as determinações para que voltasse a Portugal.
O episódio ficou conhecido como Dia do Fico. A permanência de Dom Pedro fortaleceu os grupos que defendiam maior autonomia ou a separação política.
A frase tradicionalmente associada ao acontecimento é uma reconstrução posterior e pode aparecer de formas diferentes nos livros. Por isso, o professor deve evitar apresentá-la como uma transcrição exata e incontestável.
O papel de Maria Leopoldina
Maria Leopoldina teve participação política importante no processo de independência. Em 2 de setembro de 1822, enquanto Dom Pedro estava em viagem, ela presidiu uma reunião do Conselho de Estado no Rio de Janeiro.
O Conselho recomendou a separação de Portugal, e documentos foram enviados a Dom Pedro. José Bonifácio de Andrada e Silva também teve atuação importante como articulador político.
Reconhecer a participação de Maria Leopoldina ajuda a superar narrativas que atribuem todo o processo exclusivamente a Dom Pedro.
A declaração da independência
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro declarou a separação política de Portugal. Em 12 de outubro, foi aclamado imperador e, em 1º de dezembro, foi coroado como Dom Pedro I.
O Brasil deixou de fazer parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e passou a organizar-se como um Estado independente, governado por uma monarquia.
Portugal reconheceu oficialmente a independência brasileira apenas em 1825, depois de negociações.
A independência aconteceu pacificamente?
Não. A ideia de que a independência aconteceu sem conflitos é incorreta.
Em várias províncias, grupos continuaram apoiando Portugal. Ocorreram combates e disputas políticas em regiões como:
- Bahia;
- Piauí;
- Maranhão;
- Pará;
- outras partes do território.
Na Bahia, os confrontos continuaram até 2 de julho de 1823. No Piauí, a Batalha do Jenipapo, ocorrida em 13 de março de 1823, tornou-se um importante episódio da luta pela independência.
Esses acontecimentos mostram que a consolidação da separação política ocorreu de formas diferentes pelo território.
Para ajudar os alunos a localizar essas regiões, utilize também o mapa do Brasil como recurso de Educação Geográfica.
Quem participou da Independência do Brasil?
A independência envolveu diferentes grupos sociais. Além de Dom Pedro, Maria Leopoldina e José Bonifácio, participaram dos acontecimentos:
- militares;
- proprietários de terras;
- comerciantes;
- trabalhadores livres;
- pessoas negras livres e escravizadas;
- indígenas;
- mulheres;
- moradores de diferentes províncias.
Maria Quitéria de Jesus, por exemplo, participou das lutas pela independência na Bahia. Joana Angélica tornou-se outro nome associado à resistência baiana.
A participação popular não ocorreu da mesma maneira em todas as regiões, e os diferentes grupos não defendiam necessariamente os mesmos interesses.
O que mudou depois da independência?
A principal mudança foi a separação política de Portugal. O Brasil passou a ter governo próprio e tornou-se uma monarquia comandada por Dom Pedro I.
Entretanto, muitas estruturas sociais permaneceram:
- a escravidão continuou;
- o poder permaneceu concentrado;
- a maior parte da população não participava das decisões políticas;
- mulheres não possuíam direitos políticos;
- povos indígenas continuaram sofrendo violência e perda de territórios;
- pessoas pobres enfrentavam grandes desigualdades;
- a concentração de terras foi mantida.
Por isso, independência política não significou liberdade ou igualdade para toda a população.
Por que o 7 de Setembro é uma data comemorativa?
O 7 de Setembro tornou-se o principal marco oficial da Independência do Brasil. A data é feriado nacional e aparece em cerimônias, desfiles, livros, pinturas e monumentos.
Na escola, ela deve ser estudada como um marco histórico, e não apenas como uma celebração patriótica.
Os alunos podem investigar:
- como a data foi transformada em símbolo nacional;
- quais personagens aparecem nas representações;
- quais grupos ficam ausentes;
- como diferentes regiões participaram da independência;
- o que mudou e o que permaneceu depois de 1822.
Para ampliar o trabalho com as representações do país, consulte o artigo sobre os Símbolos Nacionais do Brasil.
Público e faixa etária
A proposta é indicada principalmente para alunos do 5º ano do Ensino Fundamental, aproximadamente entre 9 e 11 anos.
O professor pode adaptar partes do conteúdo para outros anos, mas deve considerar os conhecimentos prévios, a capacidade de leitura e os objetivos curriculares de cada turma.
Para a Educação Infantil, utilize uma abordagem diferente, centrada em pertencimento, diversidade, convivência, território, cultura e experiências artísticas. Confira as atividades sobre 7 de Setembro para Educação Infantil.
Objetivos pedagógicos
O estudo pode contribuir para:
- compreender a Independência do Brasil como processo histórico;
- identificar acontecimentos anteriores e posteriores ao 7 de setembro de 1822;
- reconhecer a participação de diferentes sujeitos;
- perceber que existem diferentes narrativas sobre o passado;
- analisar mudanças e permanências;
- compreender a formação do Estado brasileiro;
- reconhecer a existência de conflitos em diferentes províncias;
- refletir sobre cidadania, direitos e desigualdades;
- interpretar textos, imagens, mapas e linhas do tempo;
- desenvolver argumentação baseada em informações históricas.
Independência do Brasil e BNCC
Para o 5º ano do Ensino Fundamental, o trabalho pode relacionar-se às seguintes habilidades:
EF05HI02 — Identificar os mecanismos de organização do poder político com vistas à compreensão da ideia de Estado e/ou de outras formas de ordenação social.
EF05HI07 — Identificar os processos de produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória e discutir a presença e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociedade na nomeação desses marcos de memória.
A habilidade EF05HI02 pode ser mobilizada ao discutir a passagem da condição de território ligado a Portugal para a formação de um Estado independente.
A habilidade EF05HI07 pode ser trabalhada ao analisar por que o episódio do Ipiranga se tornou o principal marco da independência e quais pessoas e conflitos aparecem ou são omitidos nas narrativas tradicionais.
A folha impressa, quando aplicada isoladamente, não contempla essas habilidades. É necessária a mediação do professor, com contextualização, análise de fontes, comparação de representações, formulação de perguntas e discussão coletiva.
Materiais necessários
Para desenvolver a proposta, organize:
- atividade impressa;
- lápis grafite;
- borracha;
- lápis de cor;
- mapa do Brasil;
- linha do tempo;
- imagens de diferentes representações da independência;
- textos adequados ao nível de leitura da turma;
- quadro ou cartolina para registros coletivos.
Antes da aula, confira o PDF e planeje como a atividade será relacionada ao conteúdo trabalhado.
Como aplicar a atividade passo a passo

1. Levante os conhecimentos prévios
Pergunte aos alunos:
- O que significa independência?
- O que aconteceu em 7 de setembro de 1822?
- A independência aconteceu somente naquele dia?
- Dom Pedro participou sozinho?
- Todas as pessoas se tornaram livres?
- Houve conflitos em outras regiões?
Registre as respostas sem corrigir tudo imediatamente. Elas poderão ser retomadas no final da sequência.
2. Organize uma linha do tempo
Apresente acontecimentos importantes:
- 1808 — chegada da família real portuguesa;
- 1815 — criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves;
- 1820 — Revolução Liberal do Porto;
- 1821 — retorno de Dom João VI a Portugal;
- 9 de janeiro de 1822 — Dia do Fico;
- 2 de setembro de 1822 — reunião presidida por Maria Leopoldina;
- 7 de setembro de 1822 — declaração da independência;
- 12 de outubro de 1822 — aclamação de Dom Pedro como imperador;
- 1º de dezembro de 1822 — coroação de Dom Pedro I;
- 1822 e 1823 — conflitos em diferentes províncias;
- 1825 — reconhecimento da independência por Portugal.
A linha do tempo ajuda os alunos a perceber que a independência foi um processo.
3. Localize os acontecimentos no mapa
Utilize um mapa para identificar:
- Portugal;
- Rio de Janeiro;
- São Paulo;
- Bahia;
- Piauí;
- Maranhão;
- Pará.
Mostre que o processo teve acontecimentos em diferentes regiões e não ficou restrito ao riacho Ipiranga.
4. Analise diferentes representações
Apresente pinturas, monumentos, textos didáticos ou ilustrações sobre o 7 de Setembro.
Pergunte:
- Quem aparece na imagem?
- Quem ocupa o centro da cena?
- Há participação popular?
- Existem mulheres representadas?
- Aparecem pessoas negras ou indígenas?
- A imagem mostra conflito?
- Quando essa representação foi produzida?
- Qual mensagem ela transmite?
Explique que pinturas históricas não são fotografias do acontecimento. Elas foram produzidas em outros momentos e expressam escolhas de seus autores.
5. Realize a atividade impressa
Distribua o material e leia os comandos coletivamente. Oriente os alunos a utilizar as informações estudadas para responder.
Durante a realização, circule pela sala, esclareça dúvidas e incentive a explicação do raciocínio.
6. Faça a correção dialogada
Peça que os alunos apresentem suas respostas e indiquem quais informações sustentam suas conclusões.
Retome as ideias registradas no início e identifique o que foi confirmado, ampliado ou corrigido.
Possibilidades de adaptação
Para alunos que precisam de maior apoio:
- utilize textos menores;
- destaque palavras-chave;
- apresente uma etapa de cada vez;
- ofereça uma linha do tempo parcialmente preenchida;
- utilize cartões com datas e acontecimentos;
- permita respostas orais;
- disponibilize imagens ampliadas;
- organize duplas de trabalho;
- reduza a quantidade de informações copiadas.
Para ampliar a proposta:
- pesquise os conflitos pela independência em diferentes províncias;
- investigue a Batalha do Jenipapo;
- estude a participação de Maria Leopoldina e Maria Quitéria;
- compare pinturas sobre o episódio do Ipiranga;
- analise mudanças e permanências após 1822;
- pesquise como o 7 de Setembro é lembrado na comunidade;
- produza uma linha do tempo ilustrada;
- organize uma exposição histórica.
Uma produção complementar pode ser encontrada na atividade criativa para o Dia da Independência do Brasil.
Inclusão e participação
Para alunos com baixa visão, utilize textos ampliados, alto contraste, mapas táteis ou descrições orais das imagens.
Para alunos com dificuldades de leitura, faça leitura compartilhada, utilize palavras-chave e organize as informações em uma linha do tempo visual.
Alunos que utilizam comunicação alternativa podem participar escolhendo imagens, ordenando cartões, apontando personagens ou respondendo com símbolos.
Para alunos com deficiência intelectual, reduza a quantidade de acontecimentos trabalhados simultaneamente e utilize exemplos concretos de antes, durante e depois.
O professor deve garantir que a participação não dependa exclusivamente da escrita. Respostas orais, desenhos, mapas, sequências de imagens e apresentações coletivas também podem ser utilizados.
Cuidados ao ensinar a Independência do Brasil
Ao abordar o tema:
- não apresente a independência como obra de uma única pessoa;
- não afirme que todo o processo foi pacífico;
- não confunda independência política com liberdade para toda a população;
- não apague a participação das mulheres;
- inclua diferentes regiões e grupos sociais;
- explique a permanência da escravidão;
- evite transformar a aula apenas em exaltação patriótica;
- diferencie fatos históricos de representações produzidas posteriormente;
- utilize linguagem adequada à idade sem distorcer os acontecimentos;
- incentive perguntas e comparação de fontes.
Perguntas frequentes
O que aconteceu em 7 de setembro de 1822?
Dom Pedro anunciou a separação política entre Brasil e Portugal. O episódio ocorreu próximo ao riacho Ipiranga, em São Paulo, e tornou-se o principal marco oficial da independência.
A Independência do Brasil aconteceu somente em 7 de setembro?
Não. Ela foi um processo com acontecimentos anteriores e posteriores à declaração. Houve disputas políticas, negociações e conflitos em diferentes regiões.
Dom Pedro fez a independência sozinho?
Não. Diferentes pessoas e grupos participaram do processo. Maria Leopoldina, José Bonifácio, militares, trabalhadores, mulheres, pessoas negras, indígenas e moradores de várias províncias tiveram diferentes formas de participação.
A independência acabou com a escravidão?
Não. A escravidão permaneceu no Brasil depois de 1822 e foi legalmente abolida somente em 1888.
A independência foi pacífica?
Não. Houve conflitos em diferentes províncias, incluindo Bahia, Piauí, Maranhão e Pará.
Por que o Brasil se tornou uma monarquia?
A separação foi conduzida em torno de Dom Pedro, integrante da família real portuguesa. Depois da independência, ele foi coroado imperador, e o Brasil passou a ser uma monarquia.
A atividade impressa contempla a BNCC?
Não quando utilizada isoladamente. O desenvolvimento das habilidades depende da contextualização, da análise de fontes, da mediação do professor e da participação dos alunos.
Baixe a atividade sobre o 7 de Setembro
Baixe gratuitamente o material, confira o arquivo antes da impressão e utilize a atividade como complemento do estudo histórico.
Para ampliar o planejamento, acesse as atividades sobre 7 de Setembro para Educação Infantil e os demais conteúdos relacionados à Independência do Brasil.